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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A falta de controle do ser humano



                                                                                Imagem: reprodução Internet

O Id, o Ego e o Superego são as três instâncias do aparelho psíquico que “controlam” cada indivíduo. Com esta tópica Freud fez cair por terra um dos últimos poderes que restavam ao homem – após Copérnico e Darwin – a do autocontrole. Com a apresentação das três instâncias, o medico deixou claro que não há um controle absoluto sobre as ações, há, sim, um movimento do aparelho psíquico durante cada tomada de decisão.

O Id - que esta mais para o inconsciente – esta relacionado com os desejos, libidos, a busca prelo prazer – o principio de prazer. O Ego esta mais para o princípio de realidade, logo, o consciente – ele faz as mediações entre prazeres e realidade. Acompanhando os dois, esta o Superego, este que faz o papel mais rígido, é o mais racional, aquele que condena, reprime, proíbe.

Todo indivíduo possui uma das três instâncias mais fortes, porem, para manter a saúde mental, é preciso que elas consigam trabalhar em grupo e possa sobressair, no momento oportuno, a que melhor trará uma solução para o indivíduo – sem gerar culpa ou angustia – possíveis causadoras de uma futura neurose.

 Na fase adulta, após vivenciar as fases oral, anal e fálica, um indivíduo saudável – que conseguiu superar todas as fases – encontra-se na fase genital, onde o objeto de prazer já não é mais interno e sim externo, o outro. Na fase adulta também, o princípio de prazer infantil é substituído pelo princípio de realidade – onde o indivíduo compreende que nem todos os seus desejos podem ser atendidos fidedignamente a sua fantasia delirante inconsciente e carregada de libido.

Voltando, com ênfase para “a fase adulta”, nem todos os adultos estão na fase adulta. Bem como não somente na infância existem momentos infantis. Um jovem, após os 18 anos, por exemplo, que já estaria entrando na fase adulta, caso tenha tido um trauma, uma falha no desenvolvimento em alguma fase anterior, pode estar atrelado a ela e não passar para a fase genital – podendo ficar preso a oral, anal ou fálica, dependendo do momento em que não conseguiu “evoluir”.

A análise identifica todos estes “problemas” – deixando claro que a palavra problema não pode ser generalizado, algo que acabe sendo encarado desta maneira por um paciente pode não ser tratado desta forma por todos, cabe ao analista mergulhar no assunto e vasculhar, pois o que não parece ser encarado como um problema, pode estar sofrendo efeito da resistência, ou, também, pode realmente não gerar frustração devido a história de vida. Algo deve ser encarado como um problema quando pode estar prejudicando o desempenho de diversas atividades do indivíduo, bem como as tomadas de decisões, e vai na origem – encontro o ponto que acarretou todo o círculo de demandas não positivas e parte então para o trabalho da ressignificação

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A vitória sem prazer



                                                                                                          Imagem: reprodução Internet

Freud referenciou sua teoria sobre Totem e Tabu em estudos de Darwin sobre tribos australianas. A ideia de totem é a de um objeto ambivalente, ao mesmo tempo sagrado e profano. Algo que causava admiração e curiosidade perante aqueles que o adoravam. Um misto tomava aquele povo, o desejo de tocar e, ate mesmo, tomar o lugar de poder ocupado por ele, tornou-se maior do que a admiração e respeita imposta pela figura.

A comparação então foi feita por Freud para o complexo de Édipo, onde o pai torna-se o totem – cujo garoto admira sua figura ao ponto de querer tomar o lugar dele. A figura do pai é vista como autoridade, a quem deve-se respeitar, porem, nesta relação, surge o desejo de também impor respeito, não somente respeitar. O desejo de possuir a mãe única e exclusivamente para ele, como uma vitória perante aquele que demonstra ser tão forte e intocável, quebrar o tabu e fazer o totem cair.

Após esta batalha travada vem o sentimento de falta, de necessidade de voltar a ter um totem a admirar, respeitar e seguir. O totem do pai pode ser reconstruído ou então pode ser substituído – por exemplo, por um professor, regras escolares ou regime profissional.

Esta ambivalência emocional perante o totem perdura por toda a vida, podendo ser muito encontrada em diversas religiões, onde Deus e Santos são idolatrados por uns e questionados por outros. O medo do castigo divino, por isso a necessidade em seguir, por exemplo, Os Dez mandamentos da Igreja Católica. Em contra ponto, a curiosidade em assumir os desejos que vão de encontro a ruptura e quebra dos mandamentos, o enfrentamento do sagrado buscando vence-lo, conquistando aquilo que se deseja sem a punição divina que supostamente o acompanha.

Aqui, novamente, retornar-se para a autopunição, onde a tal punição divina não acontece diretamente, é, sim, o próprio sujeito que se pune pela quebra do sagrado, daquilo imposto pela sociedade e esperado por ela para que seja cumprido, sendo assim, honrado e digno.

Pode acontecer uma mudança então no totem, se um já foi quebrado, vencido, e não conseguiu se reconstruir, natural que busque-se outro. Talvez seja esse o caso de muitas migrações religiosas. Ao alcançar o lugar sagrado, ao tocar o intocável, é necessário um novo totem a admirar e a almejar, desejar. Um novo desafio, um novo tabu a ser quebrado.